Carta de um velhote abandonado

Carta de um velhote abandonado

"Querido dono,

Espero que esteja tudo bem contigo e com a nossa família. Desde que me deixaste aqui no canil, a vida não tem sido fácil, mas eu vou aguentando. O canil está sobrelotado e já fui atacado algumas vezes por outros patudos que não gostam de partilhar uma cela tão pequena comigo.

Quando consigo dormir, sonho com a nossa família, com os teus filhos que eu vi crescer e amo desde o dia em que nasceram. Sonho com o tempo em que me achavam foto e brincavam comigo.

Quero que saibas que fiz sempre o meu melhor, protegi-vos do carteiro, dos trovões e de todos os eletrodomésticos. Daria a vida por eles sem hesitar, e por ti.

Desculpa se fiquei velho e deixaste de me achar bonito. Dizem que os pelos brancos me ficam bem, mas tu não gostaste. Desculpa se deixei de te conseguir acompanhar nos passeios longos, e nas brincadeiras com teus filhos. Desculpa se fui um estorvo nas tuas férias, e se te dei despesas por causa dos meus problemas de saúde. Entendo que prefiras comprar uma TV do que cuidar de mim... Sempre gostaste muito de ver a bola. Tenho saudades do tempo em que me deixavas ver TV contigo, no sofá.

Se não for pedir muito, achas que me podes vir buscar agora? Não há espaço para mim aqui, e o canil é muito duro para velhotes. Não me consigo habituar a isto. Cada dia que passa sinto a morte mais perto, e não queria partir sem ver a nossa família.

Podes vir quando quiseres, não guardo rancor, amo-te na mesma apesar de me teres abandonado no sitio mais assustador do mundo.

Vou amar-te sempre.

O teu eterno amigo, Tobias"

Esta carta é fictícia, mas bem real para muitos patudos (e humanos também) que são abandonados quando envelhecem. Aconteceu comigo.

Se conhecem alguém que abandonou um amigo idoso, ou pensa fazê-lo, partilhem esta mensagem. Se conseguirmos salvar um idoso, já valeu a pena.

Obrigado
Golden, o cão!

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6 comentários

Nunca na minha vida seria capaz de deixar um dos meus animais num canil só quem não tem sentimentos é capaz de fazer uma coisa dessas.

Lurdes marques

Parabens a quem redigiu o documento ficticio mas que retrata exactamente uma eventual situação!
Aos meus 6 patudos, um grande “nunca” ,jamais,vou estar sempre convosco e para voçes! Amo-vos muito!!!

Paulo Amaral

“Esta carta é fictícia, mas bem real para muitos patudos (e humanos também) …”
Pois… É uma grande verdade nos nossos dias… Sempre cuidei dos meus patudos até ao seu último suspiro (como dos humanos cá de casa)… O meu último patudo a partir, o Putchi, tinha um temor na barriga, disseram que duraria cerca de 6 meses… Mas durou 3 anos, porque não foi abandonado, mas teve todos os cuidados, todo o amor e carinho… Morreu no meu colo… Não morreu num canil abandonado (e muitos humanos nos hospitais e lares abandonados)…
Nunca esqueçam que um animal que acolhem e levam para casa, faz parte integrante da família, ele vai nos amar acima de tudo e de todos…

Isabel Pereira

Prometo vos Lé,Taco e Tobias,que jamais os sujeitarei a tamanha crueldade!Já sabem bem o que é um canil porque de lá vieram .Não se deita amigos ou família fora.Ja acompanhei alguns dos vossos a2 última morada porque sofriam muito e nada se poderia fazer mais mas,com o coração doido de dor estive até o último momento. Jamais faria tamanha maldade.

Isabel Delgado

Embora esta carta seja ficção, o que nela está escrito, revela o que muitos patudos sofrem quando são velhos e os donos os abandonam. Há poucos anos, o meu amigo patudo Fredy, deixou-nos devido a um cancro.Foi um Cão muito querido pela minha família, gastei muito dinheiro no veterinário (que dava para gozar umas ricas férias), mas não me arrependo do que fiz, pois tratava-o como sendo parte integrante da nossa Família. Sei que estás num bom sítio e que um dia te irei encontrar. Adeus.

Manuel Monteiro

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